Mensagens

A mostrar mensagens de junho, 2012

»Bons e Maus Livros

Há bons livros e maus livros? Isto é, claro que há livros  bons  e livros  maus , mas um livro é arte - e a arte é subjectiva, e um livro é também um pedacinho de alma, por isso é natural que fale mais a uns leitores do que a outros. Mas haverá uma mão infalível por detrás de todos os  bons livros ? De todos os bons clássicos consagrados com os  musts  da literatura internacional? Ultimamente dediquei-me a colmatar as minhas falhas literárias no que diz respeito aos ditos "clássicos". Com isto ando a somar autores de renome como Emily Brontë, Alexandre Dumas, Mary Shelley e, recentemente, Agatha Christie. Também dediquei algumas horas à audição do Ana Karenina do Tolstoi, e a qualidade é inegável... Como costumo andar de cabeça cheia, geralmente um romancezinho  light  caía sempre bem. Agora os romances desse tipo estão empilhados na minha mesa de cabeceira e os clássicos vagueiam no centro do meu entusiasmo. Ando a tentar ler um romance leve, mas fui obrigada a pô-lo de lado...

#40 SHELLEY, Mary - Frankenstein

Imagem
Sinopse:  Frankenstein conta a história de VictorFrankenstein, um jovem estudante, que a partir de corpos de seres humanos queobtinha em cemitérios e hospitais consegue dar vida a um monstro que se revoltacontra a sua triste condição e persegue o seu criador até à morte. Frankensteinfoi adaptado inúmeras vezes ao cinema, mas a mais memorável imagem do monstrofoi encarnada pelo actor Boris Karloff, em 1931, fazendo ainda hoje parte dacultura popular. Opinião: Uma das coisas que mais estranheidurante a leitura deste livro foi o “desbastar” das ideias pré-concebidas quetinha desta obra. A minha ideia – e perdoem-me os fãs, aos quais agora me junto– era a de que a Mary Shelley era meio doente quando, podendo falar de tantasbelezas no mundo, escolheu criar uma história sobre um monstro. E era isso queeu imaginava para o enredo desta obra: masmorras, vozes cadavéricas e a loucurade um médico que retirasse prazer da criação de vida grotesca. Mas quem poderiaretirar prazer de brincar com a vi...

viagens

Imagem
Só para agradecer ao universoo feliz – o realizada – que tenho sido ultimamente. Estou a caminhar no chãoque sempre quis calcorrear. Lancei um livro – a bem ou a mal, é qualquer coisa –sou lida e apreciada (mais por uns do que pelos outros), e basta-me um simplesleitor que me queira ler para eu continuar a escrever. Minto – e não deveriamentir, porque me é óbvia a verdade – se ninguém me lesse, eu continuaria aescrever para mim. Tenho corrido o Alentejo –campos de alfazema e Ribeira Grande, sombras de azinheiras libelinhas, passeeinas Tulherias e observei a Torre Eiffel a partir de la Défense , com O Funeral da Nossa Mãe (sai em Outubro, dia 20 emprincípio). Fui até à aldeia da minha avó com o Demência, subi e desciformações graníticas, rodeei-me de ciprestes, acariciei as lápides dos meusantepassados, sorvi o odor da terra (que também sua, também chora), e desci atéao interior do Algarve num romance que escrevi em 2008 e que ainda nãotrabalhei melhor, mas que fala de abelhas e de borb...

#39 ZWEIG, Stefan - Vinte e Quatro Horas na Vida de Uma Mulher

Imagem
Sinopse:  «Não acha então desprezível ou repugnante que uma mulher deixe o seu marido e as suas crianças para ir atrás de um homem qualquer, a respeito do qual ainda não me é de modo algum possível saber se é digno do seu amor? É realmente capaz de perdoar a uma mulher um comportamento tão negligente e leviano, que todavia não é miúda nenhuma e que, tendo em atenção as suas próprias crianças, já deveria ter sido ensinada a respeitar-se a si própria?» A rotina de um hotel na Riviera é abalada por uma notícia escandalosa. Uma mulher abandona o marido e as duas filhas, em nome de uma paixão por um jovem que havia acabado de conhecer. Este episódio despoleta uma acesa discussão entre os hóspedes do hotel e leva a Senhora C., uma aristocrata inglesa de sessenta e sete anos, a recordar um episódio secreto da sua vida que a tortura há mais de duas décadas. Vinte e quatro horas na vida de uma mulher é um relato apaixonante e intimista sobre a vida de uma mulher que se liberta das correntes do ...

#38 PEDRO, João Ricardo - O Teu Rosto Será o Último

Imagem
Sinopse: [Prémio Leya 2011]  Tudo começa com um homem saindo de casa, armado, numa madrugada fria. Mas do que o move só saberemos quase no fim, por uma carta escrita de outro continente. Ou talvez nem aí. Parece, afinal, mais importante a história do doutor Augusto Mendes, o médico que o tratou quarenta anos antes, quando lho levaram ao consultório muito ferido. Ou do seu filho António, que fez duas comissões em África e conheceu a madrinha de guerra numa livraria. Ou mesmo do neto, Duarte, que um dia andou de bicicleta todo nu. Através de episódios aparentemente autónomos - e tendo como ponto de partida a Revolução de 1974 -, este romance constrói a história de uma família marcada pelos longos anos de ditadura, pela repressão política, pela guerra colonial. Duarte, cuja infância se desenrola já sob os auspícios de Abril, cresce envolto nessas memórias alheias - muitas vezes traumáticas, muitas vezes obscuras - que formam uma espécie de trama onde um qualquer segredo se esconde. Dotad...

#37 KAWABATA, YASUNARI - Terra de Neve

Imagem
Sinopse:   Terra de Neve é a história de um amor de perdição passado no meio da edsolada beleza da costa oeste do Japão, uma das regiões mais nevosas do mundo. É aí, numas termas isoladas de montanha, que o sofisticado Shimamura conhece a geisha Komako, que se entrega a ele sem remorsos, sabendo de antemão que a sua paixão não pode perdurar. Opinião:   Dou-lhe esta classificação porque oscilo ainda entre o alienamento e a compreensão. Pode dar-se que seja uma daquelas obras tão belas, tão profundas e tão intimistas que não consegui mergulhar suficientemente nela para a compreender. Ou pode dar-se que a sensação que a narrativa passa - com muitos diálogos e frases curtas - de vazio, de quase supérfluo, me tenha impedido de ver as sub-camadas desta obra.   A descrição dos cenários, desta "Terra de Neve", dos cedros e dos áceres, é muito detalhada, muito rica e muito ilustrativa daquilo que é esta região agreste do Japão. A cultura das gueixas e a moralidade duvidosa (para nós o...

#36 GUHRKE, Laura Lee - O Casamento do Ano

Imagem
Sinopse:   Beatrix Danbury sempre teve a certeza de que iriacasar com William Mallory. Amava-o desde sempre e nunca duvidou que ele aamasse também. Mas quando Beatrix o obriga a ter de escolher entre uma vida adois ou o seu sonho de sempre, ele decide-se pela última hipótese... a duassemanas do casamento. O regresso do Duque... William estava certo deque Beatrix o receberia de braços abertos. Os seis anos que haviam passadodesde que a deixara, não tinham feito desaparecer o seu amor por ela. Oproblema é que Beatrix estava prestes a casar-se com outro homem. Alguémprevisível e em quem sentia que podia confiar... alguém que era o oposto do seuantigo noivo. Conseguirá William impedir o casamento do ano e ter Beatrixde volta, ou será tarde demais? Opinião:  O maisimportante a reter é que, como na grande maioria dos romances, a sinopse dá-seao trabalho de deturpar a história. Isto é, puxa a brasa no sentido desimplificá-la para questões simples do coração - “ Williamestava certo de que Beat...