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A mostrar mensagens de janeiro, 2025

O Fosso

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Quando minimizam o trabalho de uma escritora como eu, ou como alguns dos muitos escritores que conheço, homens e mulheres, que não tiveram a sorte de um juri composto por três ou quatro pessoas ter adorado o seu trabalho a determinado momento e achado que o mesmo era digno de uns milhares de euros, de uma editora com visibilidade, de eventos de promoção e de um lugar de destaque entre os pares, uma posição vitalícia no estrelato elitista do nosso meio cultural, fico triste. Pior do que triste, fico mesmo muito chateada. Não digo "desiludida", porque não espero nada do meio cultural do meu país. Não espero que passem as ver as obras em vez dos nomes que as escrevem, nem que deixem de nomear e premiar conhecidos e amigos sempre que se encontram como juris de um prémio/bolsa/apoio/residência literária. Há premiados por mérito, não há dúvida disso, mas é sempre uma pequena fração do nosso dinheiro e do interesse público a ser verdadeiramente contemplada. Nunca achei que haver mai...

#310 SANTOS, Mafalda Santos, Enquanto o Fim Não Vem

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Sinopse:  O inspetor Lobo quer descobrir quem matou Laura. Afonso quer que o deixem escrever o que ele gosta. Gabriela quer que o inspetor Lobo faça o seu trabalho e quer que Afonso escreva o que lhe pedem. Mas Laura continua morta, os pais dela pressionam as forças policiais, e é preciso apanhar o culpado. Ou serámais que um? Que forças estranhas os rodeiam sem que deem por nada? Quando Afonso perde a namorada, Júlia, num horrível acidente, vê no luto a oportunidade que precisa para parar de escrever, sem ninguém contestar. Se o leitor acha que já percebeu este livro, podemos afirmar, com toda a certeza, que não. Porque quando pensa que descobriu o que se passou, Mafalda Santos abre outra cortina com outra realidade, desafiando-nos.Mas quando o fim, finalmente, chegar,pode ter a certeza de que não passará despercebido.   Opinião:   A minha estreia nas obras da Mafalda Santos não podia ser mais auspiciosa! Costumo hesitar muito em dar cinco estrelas a um livro, mas a viagem que este me...

A minha vida dava um filme turco

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Ultrapassada a era dos filmes indianos como os mais dramático-inverosímeis, introduzo uma nova etapa na minha vida: a dos filmes turcos. Desde dia 7 que vivo em Évora, eu e os dois cães, numa casinha alentejana de 20m2. Ainda falta alguns meses (quero acreditar, na melhor hipótese, que sejam três) para que possa mudar-me para a minha própria casa. Entretanto, sou nómada. As aventuras começaram quase desde o início, desde precisar de ajuda para conseguir abandonar a minha casa (o tempo voa e eu sou só uma), dormir no chão, lidar com um cachorro de dois meses e meio arraçado de capetinha, outro cão medroso, e a roda-viva de gente a entrar e sair da casa que, ao fim de sete anos, abandonei na terça-feira passada. Saí de Almada ao crepúsculo, com o que restava da casa às costas e um cheque de cinco dígitos que não consegui depositar porque, como a minha vida dava um filme turco, a porta eletrónica/automática do meu banco estava "fora de serviço". Conduzi cansada, exausta, a ouvir...