Mensagens

A mostrar mensagens de dezembro, 2020

#268 REIS, João, Quando Servi Gil Vicente

Imagem
Sinopse: Gil Vicente, figura insigne do Teatro e das Letras portuguesas, de vida incerta e misteriosa, mas alvo de admiração e honrarias ao longo dos séculos. Menos afamado, talvez, seja seu servo, Anrique de Viena, homem humilde e leal que conheceu em batalha o mundo, e que regressou para o lado de seu senhor, para o acompanhar no inverno de sua vida e o ajudar na escrita da sua última peça. E através da pena de Anrique, ágil e dedicada, veremos o mestre como nunca antes foi visto: completa e profundamente humano. Irónico, divertido e comovente, Quando Servi Gil Vicente é um exercício extraordinário de estilo e invenção que, prestando homenagem a um dos maiores autores portugueses, nos permite acesso àquilo que, para o bem e para o mal, poderia muito bem ser Gil Vicente no seu tempo e mundo.   Opinião:  A vida de Gil Vicente é, acima de tudo, uma incógnita. Trata-se daquelas biografias  ou  x,  ou  y, e o autor valeu-se dessa escassez de factos sobre a vida do dramaturgo para ficcion...

Dói, ser mulher

Imagem
Nos últimos tempos, tenho refletido muito acerca da condição da mulher (e da minha condição de mulher). Pensei em colocá-lo num desenho, e saiu este que uso para ilustrar este post. O sangue é, com toda a certeza, aquilo que salta à vista. Mas este sangue não é a menstruação, nem um aborto espontâneo, nem o que fica de uma violação. Este sangue é tudo isso, e muito mais. Ontem estava a ver um episódio intitulado Métodos Contraceptivos de uma espécie de mini-documentário da Netflix chamada  Resumindo, Sexo . São 25 minutos sobre o modo como a mulher sempre foi a principal responsabilizada por uma gravidez indesejada, e como isso resultou na sua pobreza, por vezes ostracização, dependência do marido, linchamento público, enxovalhamento social, etc. Ao longo de toda a História as mulheres submeteram-se a toda a espécie de mezinha, ritual, brutalidade, para interromper gravidezes indesejadas. Também inseriam objetos estranhos no próprio corpo e lavavam-se com vinagres, poções ou mesmo co...

Os disparates sobre Auschwitz e Birkenau

Analisemos a seguinte entrevista de JRS, e nada mais (é de dia 18 de Novembro, mas apenas agora lhe cheguei após ler o parecer do autor João Pinto Coelho a seu respeito). Link para visualização: Grande Entrevista Episódio 55 - de 18 Nov 2020 - RTP Play - RTP Coisas que me parecem disparatadas na Grande Entrevista ao JRS sobre os seus livros em torno de Auschwitz-Birkenau: O tom: sinto que estou a assistir a uma aula, pelo que não posso contrariar o professor; Dizer que não há autores conhecidos em Portugal que aborde o tema “Holocausto” na ficção (vou considerar ficção e não jornalismo), quando há um finalista do prémio Leya, que também é prémio Leya e best-seller, e que inclusive esteve envolvido em polémicas com o governo polaco devido ao seu trabalho… Ele é jornalista, e além disso está no meio literário… ou está completamente alheio ao resto? A somar a isso, a sua ideia de escritor “conhecido” é um Nobel e um candidato a Nobel português… Não faria mais sentido comparar-se a escrito...

#267 HORTA, Maria Teresa, Ema

Imagem
Sinopse: A mulher vagueia no universo repressivo da casa. Poderia ser a mesma onde a avó fora morta pelo avô, ou de onde a mãe saíra, louca, para o hospital psiquiátrico. Ema é o nome de todas elas. Como o da antepassada tomada pelo terror após ter parido uma menina, sem dar ao homem com quem casara um filho varão. É esse espaço de violência que vai alimentando o ódio na paixão que a última das Emas tem pelo marido. Um ódio crescente que a impele, implacável, para a vingança, para o assassínio dele. Uma morte desfrutada, dir-se-ia gozada, por um olhar onde, apesar de tudo, a paixão perdura... Opinião:  "Naquela noite, quando ele acabou, ela soube, teve a certeza que ficara grávida. Sentou-se na borda da cama alta e vomitou para o bacio que mal teve tempo de puxar para si." Ema  é a minha estreia com Maria Teresa Horta (N. 1937), e é um aquecimento antes de me atrever a ler  As Luzes de Leonor . Trata-se de uma novela (apesar de ser listado como romance, mas tem apenas 134 pá...

#266 DINIS, Júlio, As Pupilas do Senhor Reitor

Imagem
Opinião: As Pupilas do Senhor Reitor  é, talvez, o livro mais famoso e mais readaptado do escritor portuense Júlio Dinis. Publicado em folhetins em 1866, esta história passada numa aldeia portuguesa inominada foi ilustrada pelo artista Roque Gameiro em 1904 e 1905. Segundo Roque Gameiro, que percorreu o norte do país para procurar a paisagem adequada ao enredo, a ação teria lugar em Santo Tirso. Deixo algumas das esmeradas ilustrações de Gameiro, que sem dúvida me ajudaram a visualizar este romance soberbo. Tratando-se do terceiro livro de Júlio Dinis que leio este ano , começo a sentir algum cansaço face a um certo estilo de narrativa e a certo conteúdo temático (uma espécie de puerilidade que percorre todo o enredo). No entanto, se a primeira metade do livro considerei algo enfadonha, a segunda recordou-me do porquê de apreciar tanto as tramas do autor. Este romance conta a história de duas meias-irmãs, Margarida e Clara. Quando ficam órfãs, o reitor da aldeia toma-as sob sua proteçã...