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A mostrar mensagens de setembro, 2020

#261 Ferrante, Elena, A Amiga Genial

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Sinopse:  A Amiga Genial é a história de um encontro entre duas crianças de um bairro popular nos arredores de Nápoles e da sua amizade adolescente. Elena conhece a sua amiga na primeira classe. Provêm ambas de famílias remediadas. O pai de Elena trabalha como porteiro na câmara municipal, o de Lila Cerullo é sapateiro. Lila é bravia, sagaz, corajosa nas palavras e nas acções. Tem resposta pronta para tudo e age com uma determinação que a pacata e estudiosa Elena inveja. Quando a desajeitada Lila se transforma numa adolescente que fascina os rapazes do bairro, Elena continua a procurar nela a sua inspiração. O percurso de ambas separa-se quando, ao contrário de Lila, Elena continua os estudos liceais e Lila tem de lutar por si e pela sua família no bairro onde vive. Mas a sua amizade prossegue. A Amiga Genial tem o andamento de uma grande narrativa popular, densa, veloz e desconcertante, ligeira e profunda, mostrando os conflitos familiares e amorosos numa sucessão de episódios que os ...

Carta às mulheres que continuam com homens execráveis

Isto não é um apelo feminista: é um apelo à integridade física e psicológica de um estrato social que são as mulheres, e é dirigido às que vivem relações tóxicas com homens que deviam estar internados em alas psiquiátricas, e que ameaçavam levá-las a elas à loucura – ou à morgue. Há vários argumentos para uma mulher não deixar um homem execrável: um deles é que é pai dos seus filhos, e não quer que os filhos cresçam sem pai. Aqui talvez devamos atentar na definição de pai. Um pai não é o tipo que entrega uns trocos para as compras da casa, nem quem paga metade da creche, nem quem oferece um brinquedo aos miúdos no Natal. Há tipos que são pais sem um tostão no bolso, mas que tiram prazer da companhia dos filhos, que agem com cada pensamento direcionado ao melhor das crianças. Depois há tipos para quem estar com os filhos é um frete, um cansaço evitável, um aborrecimento de fim-de-semana. Os filhos como fardo, e o pretenso pai a destruir um fim-de-semana de amigos e copos por causa dos p...

#260 MÃE, Valter Hugo, O Filho de Mil Homens

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Opinião:  Tenho de atribuir duas estrelas, porque significa it's ok enquanto 3 já significa I liked it Foi a minha estreia com Valter Hugo Mãe, um autor que encontro muito pelo mundo dos livros, mas que até agora não me despertou grande curiosidade. Li algumas reviews de utilizadores com gostos semelhantes aos meus, folheei "A Desumanização", não consigo estar desinformada sobre títulos e às vezes até sinopses de livros que saem, e sempre me pareceu que não era para mim. Mas um amigo insistiu que devia lê-lo, e decidi ir até à biblioteca conseguir um exemplar de qualquer uma das suas obras e assim poder opinar com conhecimento de causa. Uma das surpresas é que a capa da edição da Alfaguara (o homem em chamas) sugeria uma história poderosa, adulta, séria. Eu gosto muito de austeridade na escrita, mesmo o humor que surge num ambiente soturno tem outro gosto. A história não é nada disto, embora tenha rasgos de crueldade e outros de ingenuidade, e o contraste dos dois - promo...

O que 4 dias de cuidado na alimentação e hidratação extra podem ter feito pela minha psoríase...

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Tenho recebido várias mensagens privadas de pessoas que conhecem alguém que tem psoríase, e que por algum motivo não se parece muito com a minha, ou é exatamente igual à minha. A psoríase é uma doença muito complexa que pode causar vários tipos de lesão diferentes. Há quem a tenha por placas grandes e avermelhadas (como que continentes), e quem a tenha em pintinhas (como que ilhéus), e há quem a tenha apenas localizada e muito ressequida apenas nos cotovelos, joelhos e couro cabeludo. Eu, por exemplo, nunca tive lesões no couro cabeludo, no rosto nem nos joelhos. A minha psoríase começou com uma medalhinha no centro do peito, que foi crescendo e que não desaparecia de modo algum. A psoríase é uma doença autoimune (o corpo combate-se a si próprio), crónica e não contagiosa , possivelmente despoletada por stress ou outros fatores psicológicos. No Brasil existem cerca de 5 milhões de pessoas com essa doença, e é encarada como algo que, não comprometendo a capacidade de trabalho do pacient...

#259 BRAVO, Iris, A Terceira Índia

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Sinopse:   Sofia tem 32 anos, é professora num colégio em Lisboa e casada com um arquiteto de uma família nobre ribatejana. Ele conservador e ela liberal, não tinham nada em comum quando se apaixonaram numas férias de verão dez anos antes. Viveram um namoro feliz seguido de um casamento de sonho, desgastado pela sua obsessão por uma gravidez. Quando descobre que foi traída, Sofia aceita uma proposta para substituir a sua mentora e viaja para o interior de Moçambique. Disposta a viver aventuras, envolve-se com Alex, um homem que a atrai, apesar dos seus modos secos e do pressentimento de que lhe esconde algo. Corajosa e determinada, Sofia irá descobrir tudo aquilo de que é capaz, incluindo arriscar a sua vida.     Opinião:  Pronto, e é isto. Quando adoro um livro, dou-lhe cinco estrelas. Neste caso, cinco inesperadas estrelas e muita admiração pela autora, que se estreia assim na ficção nacional com uma promessa de talento inegável! Uma palavra para o facto de só ter comprado o livro po...

#258 GUSTAFSSON, Lars, A Morte de Um Apicultor

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Opinião: "Por exemplo, a inquietação sexual (...). Esta fome surda, obscura, esta sensação de me faltar qualquer coisa que me persegue, no sono, na vigília, em cada momento da minha vida. Que é isto? A possibilidade de amor no nosso corpo." Este é o quinto romance da autoria do escritor sueco Lars Gustafsson (1936-2016) e, segundo a badana do livro, é considerado a sua "obra-prima". Comprei-o porque achei o título belíssimo (e muito promissor). Se, por um lado, houve trechos de grande beleza - no isolamento, na proximidade à natureza, numa ou outra reflexão sobre a vida e, sobretudo, sobre o seu fim -, em geral foi, para mim, um livro ameno. Lê-se muito bem, com uma ou outra parte que nos atira para fora de pé - suponho que o próprio narrador alucine um pouco, devido às dores que o tolhem. Não sei se não era o momento, não sei se o tema "cancro" me é demasiado familiar. Não sei se as abelhas terão estado pouco presentes, ou talvez até por se tratar de um l...