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A mostrar mensagens de fevereiro, 2021

#274 CHOPIN, Kate, Meias de Seda

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Opinião:  ”Na sua opinião, o amor era sinónimo de degradação, algo que quase tinha vergonha de confessar a si próprio; e sabia que não tinha forças para o reprimir.” Kate Chopin (1851-1904) foi uma autora norte-americana que viveu toda a vida no Louisiana. Peguei nas suas  Meias de Seda  convencida de que se tratava de uma novela sobre o dilema de uma mãe entre gastar, ou não, o dinheiro extra que recebeu consigo ou com os filhos. No entanto, esta edição contém sim uma compilação de contos da autora. Em todos é transversal a delicadeza com que aborda a vontade das mulheres, a sua submissão – ou insubmissão – face aos homens da sua época, e também um cuidado em retratar a vida de famílias crioulas e de origens francófonas (portanto marginais) do Louisiana. Todos os nove contos aqui compilados (Meias de Seda, Azélie, Uma Mulher de Respeito, O Sonho de uma Hora, Um Cavalheiro de Bayon Têche, Uma Noite em Arcadie, o Bebé de Desirée, O Divórcio de Madame Célestin e No Baile Canadiano) evide...

#273 CASTRO, Ferreira de, A Missão

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Opinião:  Há muitos, muitos anos, tentei ler  A Selva , deste mesmo autor. Lembro-me que estava a gostar muito do livro mas, entretanto, a curiosidade esmoreceu e abandonei-o. Era da biblioteca e acabei por devolvê-lo. “A Missão” é uma novela, e nesta edição é seguida de um conto intitulado “Nossa Senhora dos Navegantes”. Ambos são excelentes, e muito intensos apesar de serem relativamente breves. “A Missão” recordou-me a intensidade das novelas de Steinbeck, em particular  A Pérola , que adorei. E sai-se melhor do que essa outra (atrevo-me a dizer) no que ao imprimir realismo e intensidade a uma narrativa, em tão curtas páginas, diz respeito. "Nessa época, as colónias representavam para os missionários o mesmo que as câmaras de experimentação para certos metais: punham à prova a sua resistência. Todos sabiam que o pecado andava lá, quase nu, entre os coqueiros e que entre pecados e virtude havia apenas os dois ou três milímetros de espessura de uma tanga. ”A Missão” é uma novela ...

#272 HEMINGWAY, Ernest, Paris é Uma Festa

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Sinopse: Em 1921, um jovem Ernest Hemingway chega a Paris decidido a abandonar o jornalismo e a iniciar carreira como escritor. De bolsos vazios e com a cabeça povoada de sonhos, percorre as ruas de uma cidade vibrante nos dias de pós-Primeira Guerra Mundial, senta-se nos seus cafés para escrever, recolhe-se em retiros apaixonados com a sua primeira mulher, Hadley, e partilha aprendizagens e aventuras com algumas das mais fulgurantes figuras do panorama literário da época, como Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald ou a madrinha desta - por si apelidada - «geração perdida», Gertrud Stein. Situada entre a crónica e o romance, Paris é uma Festa é a memória destes anos e a obra mais pessoal e reveladora de Hemingway. Deixada inacabada pelo autor, seria publicada postumamente, em 1964. Opinião:  Esta é a quarta obra que leio de Ernest Hemingway, o controverso Nobel americano. Comecei por “ Na Outra Margem, Entre as Árvores ”, um livro dos anos 50 que considerei profundamente misógino. De seguid...

#271 LAXNESS, Halldór, Gente Independente

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Opinião:  “Gente Indepedente” é um romance épico da autoria do Nobel islandês Halldór Laxness, em que a saga de um homem pode tornar-se a saga de toda uma nação. Ignorava a sua existência até ter dado uma espreitadela à lista de 100 melhores livros de todos os tempos do  The Guardian , e chamou-me à atenção entre  Eneida  e o  Velho Testamento . A Islândia de 1900 é um local inóspito, uma nação em equilíbrio sobre 1000 anos de provações : houve erupções, fomes e guerras, mas a ameaça constante continuam a ser as distâncias, o isolamento e a necessidade de importar do estrangeiro bens essenciais como centeio, trigo, ou mesmo o café que lhes aquece as jornadas de trabalho. "O que é a alma? Se cortarmos a cabeça a um animal, a alma sai da espinha dorsal a voar e desaparece no céu como uma mosca? (...) Um homem quantas almas tem? Lázaro voltou a morrer numa outra altura? E porque razão as almas se comportam com cortesia perante os altos funcionários do Estado, enquanto molestam os peq...