A Paisagem
Há uma semana e meia debatia a paisagem com a última pessoa que conheci nas aplicações de encontros. É um alemão a viver e trabalhar em Portugal há quase uma década, e discutíamos o sentimento de devastação que experienciei durante a minha curta passagem por Hamburgo, em 2014. Em julho de 1943, a Operação Gomorra arrasou metade das habitações de Hamburgo e matou milhares de civis. A cidade ficou arrasada e, setenta anos depois, eu achei que ainda era capaz de sentir a dimensão dessa ferida aberta. No semblante dos habitantes, na arquitetura modernista da cidade, num ambiente sombrio de reconstrução eficiente, mas que não cura. Não esquece. Posto isto, a dimensão psicológica de vermos a paisagem que conhecemos devastada por uma catástrofe natural ainda está por apurar. Se somarmos a isso a nossa casa, será como perder a nossa identidade. Ver tudo à mercê da natureza, dobrado ao meio por ventos, arrastado por aluviamentos, pinhais arrasados com os pinheiros partidos ao meio, como meros ...