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A mostrar mensagens de abril, 2019

#216 MÁRQUEZ, Gabriel García, Cem Anos de Solidão

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Opinião: Gabriel Garcia Márquez publicou aquilo que só pode ser a obra-prima da literatura em língua castelhana em 1967, quando tinha apenas 40 anos.  Calculou que lhe bastassem 6 meses a escrever todas as manhãs para o terminar, mas na verdade demorou 18 meses a completá-lo. Segundo o próprio, a inquietação mais premente da sua vida durante esse tempo foi a possibilidade de que lhe acabasse o papel para a máquina de escrever. A cada erro de grafia, destruía a folha e recomeçava de novo. Ao descer do autocarro com a versão final do manuscrito, a editora tropeçou e as folhas caíram numa poça e ficaram expostas à chuva. Foram posteriormente secas com ajuda de um ferro de engomar, e o autor só veio a sabê-lo muitos anos depois. Também conta o próprio que, ao enviá-lo para um editor na Argentina, só tinha fundos para pagar o envio de metade do manuscrito, pelo que o dividou. Ainda por cima, enganou-se e enviou apenas a segunda parte, no lugar da primeira. Acabou por ser o editor, provavelm...

#215 MAUGHAM, W. Somerset, O Fio da Navalha

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Opinião:  “- Ela tinha uma alma maravilhosa, ardente, idealista e generosa. Os seus ideais eram magnânimos. Até no final houve uma certa nobreza na forma como procurou a destruição.” O Fio da Navalha , publicado em 1944, e adaptado ao cinema em 1946 e em 1985, é o terceiro romance que leio do escritor britânico W. Somerset Maugham. Quando li o seu  Servidão Humana , soube de imediato que tinha encontrado um dos escritores que me acompanhariam pela vida fora, e cujas obras haveria de ler e reler. Guardei este volume para uma altura de crise, em que precisasse de ter confiança na obra em que pegasse e, se o início foi algo espinhoso, depressa a voz única do escritor me envolveu, e quando dei por mim não conseguia pousá-lo. Há muito que não leio romances em pouco mais de vinte e quatro horas, e devorei as 300 páginas deste nesse mesmo período de tempo. Ainda assim, sei que ficará comigo. É daqueles que haverei de mencionar vezes sem conta. Embora a sinopse sugira que este romance conta a ...

#214 STEINBECK, John, A Pérola

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Sinopse:  Baseada num conto popular mexicano, A Pérola constitui uma inesquecível parábola poética sobre as grandezas e as misérias do mundo tão contraditório em que vivemos. E, assim, a história comovente de uma pérola enorme, de como foi descoberta e de como se perdeu… levando com ela os sonhos bons e maus que representava, mas é também a história de uma família e da solidariedade especial entre uma mulher, um pobre pescador índio e o filho de ambos. Opinião: "Não é bom desejar muito uma coisa. Pode arredar a sorte. Basta desejá-la um pouco, porque é preciso muito tacto com Deus ou com os deuses." A Pérola  é uma novela de J. Steinbeck - provavelmente o meu escritor favorito -, publicada em 1947. Como a sinopse anuncia, é baseado num conto popular mexicano.  O tom da leitura foi-me muito familiar. Recordou-me sobretudo  A Um Deus Desconhecido  (1933), que é um dos meus livros favoritos. Tem a mesma carga mística, profética, quase divina desse outro volume. Uma vez mais, cre...

#213 SARAMAGO, José, Caim

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Sinopse: Neste novo romance, o vencedor do prêmio Nobel José Saramago reconta episódios bíblicos do Velho Testamento sob o ponto de vista de Caim, que, depois de assassinar seu irmão, trava um incomum acordo com deus e parte numa jornada que o levará do jardim do Éden aos mais recônditos confins da criação. Se, em O Evangelho segundo Jesus Cristo, José Saramago nos deu sua visão do Novo Testamento, neste Caim ele se volta aos primeiros livros da Bíblia, do Éden ao dilúvio, imprimindo ao Antigo Testamento a música e o humor refinado que marcam sua obra. Num itinerário heterodoxo, Saramago percorre cidades decadentes e estábulos, palácios de tiranos e campos de batalha, conforme o leitor acompanha uma guerra secular, e de certo modo involuntária, entre criador e criatura. No trajeto, o leitor revisitará episódios bíblicos conhecidos, mas sob uma perspectiva inteiramente diferente. Para atravessar esse caminho árido, um deus às turras com a própria administração colocará Caim, assassino ...