A questão da habitação digna
Quando o meu avô morreu em Abril, o contrato de arrendamento da casinha onde sempre viveu com os filhos expirou também. Era um contrato celebrado em 1975, e a senhoria há muito que torcia pela morte do meu avô para poder recuperar a casa. Tudo bem, é património que lhe pertence. O tio sairá, até Outubro. A odisseia de procurar casa é que tem sido muito amarga, e tem-me levado a muitas reflexões. Em primeiro lugar, o meu tio tem 54 anos, a quarta classe, um emprego estável (embora apenas desde Maio, porque antes disso era cuidador do avô), e um salário diria que até bem simpático. Resumindo, o salário dele equivale ao que eu recebia ao fim de uns 5 anos a fazer uso da minha Licenciatura em Turismo. Não me parece nada mau para um homem nas suas circunstâncias, e é um emprego numa junta de freguesia onde têm manifestado apreciação pelo seu trabalho e intenções de o manter. Dir-se-ia que tem as ferramentas certas para viver uma vida digna, com emprego digno e habitação digna, mas não. Nã...