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A mostrar mensagens de janeiro, 2020

A ditadura da cosmética (a indústria e a nossa conivência)

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Há uns dias, horrorizei a funcionária de uma parafarmácia com um hábito chocante. Tinha-me dirigido à secção das marcas sonantes para procurar dois cremes que pesquisei primeiro online . É que as minhas sobrancelhas andam sempre a escamar durante o inverno, e agora a pele ao redor também estava a ficar vermelha e irritada. De modo que fui pesquisar e o meu amigo Google sugeriu que pode ser dermatite seborreica. Antes de marcar uma ida ao dermatologista, decidi comprar um creme adequado para esse meu autodiagnóstico e ver se a coisa funciona. Depois de me esclarecer quanto aos dois cremes que me puseram em dúvida, perguntou-me como lavava o rosto. E agora pasmem: lavo a cara com água. Umas vezes morna, outras fria. Pronto, é isso, sou uma porcalhona. Fora as vezes em que uso maquilhagem, que são muito poucas, e em que passo desmaquilhante (em creme, toalhitas ou águas micelares etc.), não tenho o chamado ritual de beleza. Aquela coisa do instagram e das revistas? " A rotina de bel...

Pequenas reformas, grandes patifes!

A minha querida avó, figura máxima na minha educação e presente em quase todas as minhas memórias felizes da infância, sempre se queixou da sua reforma baixa. Tanto ela quanto o avô sofriam desse flagelo em Portugal: o desamparado do Estado. Eu já teria uns 20 anos, se não mais, quando finalmente entendi que estavam  desamparados por um estado para o qual contribuíram pouco ou nada . Foi para mim um instante de revelação, que levantou a ponta do véu sobre a complexidade do Estado Social, a desigualdade, a educação e o desalento das pessoas que não entendem e que, por não entenderem, se julgam abandonados e desresponsabilizados pelas suas próprias escolhas. Costumo acompanhar o Linha Aberta e, no link abaixo, temos a história de uma senhora que sem dificuldade conquista a nossa compaixão, mas decidi tomar atenção aos factos. Como é invariável em todas as histórias de idosos no limiar da pobreza em Portugal, a história começa com "trabalho desde os...". Geralmente segue-se uma ...

Os media, as redes sociais e o futuro dos nossos miúdos

Tenho uma adolescente lá em casa, conheço outros tantos. Tenho acompanhado crianças a crescer de perto, e concluo que os media, os feeds de notícias do Facebook e sobretudo a influência dos influenciados do Instagram arruinam a infância e a juventude de muita gente . No caso da infância, é esse incutir de consumismo desde as primeiras palavras. É Patrulha Pata , é Panda , é Violeta , é Frozen . Bolos disto tudo, festas de aniversário temáticas, fatiotas a preceito, a ideia, possivelmente errada, de que uma criança de 5 estaria mais apta a assistir a um concerto da Hannah Montana do que a um concerto dito decente, de algo que lhes prepare a formação cultural e lhes treine o ouvido para o poder enriquecedor (e até terapêutico) da Música. Nunca entendi como é que os pais desembolsam quantias astronómicas para esse tipo de concerto, e depois acham uma visita ao Jardim Zoológico ou ao Oceanário cara. Atenção, não estou a posicionar-me junto dos animais enjaulados, mas creio que apesar da c...

Escrita por fórmula

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Como escritora, com certeza terei as minhas manias e os meus pontos recorrentes. Há assuntos que, de tão pertinentes, de tão pessoais (mesmo sem o serem), insistem em revisitar todos os meus livros. A violência doméstica, por exemplo, é um tema que me é difícil de contornar, e o motivo é simples: está em toda a parte. Em cada aldeia deste país, em todos os tempos que eu escolha para escrever. Como não criar um novo calhamaço em torno dela? Com muita força de vontade. .. Há mais a dizer, digamos outra coisa num outro volume. Ontem à noite estava a ler um livro da Nora Roberts que a minha mãe me trouxe. É da Harlequin e compila duas histórias num único volume. Cada história tem cerca de 250 páginas. Tinha lido a primeira há uma semana, talvez, e atirei-me à segunda porque tinha o cérebro demasiado parado para me lançar a um livro bom . Costumo ler estes livros mais  light como se servissem para limpar o paladar, função que cumprem com louvor.   Qual é, então, esta questão em torno da e...

#239 AMARAL, Domingos, Quando Lisboa Tremeu

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Sinopse:   Lisboa, 1 de Novembro de 1755. A manhã nasce calma na cidade, mas na prisão da Inquisição, no Rossio, irmã Margarida, uma jovem freira condenada a morrer na fogueira, tenta enforcar-se na sua cela. Na sua casa em Santa Catarina, Hugh Gold, um capitão inglês, observa o rio e sonha com os seus tempos de marinheiro. Na Igreja de São Vicente de Fora, antes da missa começar, um rapaz zanga-se com sua mãe porque quer voltar a casa para ir buscar a sua irmã gémea. Em Belém, um ajudante de escrivão assiste à missa, na presença do Rei D. José. E, no Limoeiro, o pirata Santamaria envolve-se numa luta feroz com um gangue de desertores espanhóis. De repente, às nove e meia da manhã, a cidade começa a tremer. Com uma violência nunca vista, a terra esventra-se, as casa caem, os tectos das igrejas abatem, e o caos gera-se, matando milhares. Nas horas seguintes, uma onda gigante submerge o terreiro do Paço e durante vários dias incêndios colossais vão atemorizar a capital do reino. Perdidos...

#238 ACCIAIUOLI, Filippo, O Terrível Terramoto da Cidade que foi Lisboa - Correspondência do Núncio Filippo Acciaiuoli: Arquivos Secretos do Vaticano

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Sinopse:  O cataclismo que desabou sobre a cidade de Lisboa no dia 1 de Novembro de 1755 anda ligado a uma memória indelével da história. De tão grande tragédia se faz eco na correspondência do Núncio Apostólico, que desde o dia 4 desse mesmo mês envia semanalmente para Roma informações dirigidas à Secretaria de Estado e ao Papa, às quais se devem acrescentar as cartas endereçadas ao Cardeal Secretário, que era então o Cardeal Silvio Valenti Gonzaga, e aos familiares. É essa correspondência, depositada no Arquivo Secreto do Vaticano, que Arnaldo Pinto Cardoso traduz para português, dando a conhecer relatos vivos e quase diários das aflições vividas em Lisboa e das reacções que se fizeram sentir no Vaticano, numa obra ilustrada com iconografia da época. Monsenhor Arnaldo Pinto Cardoso é natural de Penso, Sernancelhe. Sacerdote da diocese de Lamego, licenciou-se em Teologia pela Pontíficia Universidade Gregoriana (1967-69) e em Sagrada Escritura pelo Instituto Bíblico (1969-72), de Roma....

#237 MOLESKY, Mark, O Abismo de Fogo

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Sinopse:  No Dia de Todos os Santos, em 1755, um sismo abalou a terra, desde o fundo do oceano Atlântico até às costas ibérica e africana. No caminho estava Lisboa, então uma das cidades mais ricas do mundo e capital de um vasto império. Em minutos, parte da cidade transformou-se em ruínas.Mas isto foi apenas o começo. Meia hora depois, um maremoto originado pelo terramoto atingiu o litoral português, provocando uma enchente no rio Tejo, arrastando milhares de pessoas para o mar. No final do dia, ondas gigantes haviam feito vítimas em quatro continentes.Completando a destruição, uma tempestade de fogo engoliu quase tudo o que restava da cidade, atingindo os sobreviventes com temperaturas que excederam os 1000 ºC. As chamas prolongaram-se por várias semanas.Tendo por base novas fontes, as últimas descobertas científicas e um profundo conhecimento da história da Europa, Mark Molesky dá-nos um relato do Grande Desastre de Lisboa e do seu impacto no Ocidente, em que se inclui a descrição d...

"Os Pássaros" e a paternidade

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Se tudo correr bem, o meu próximo romance a ser publicado, Os Pássaros , estará convosco ainda este trimeste. Estamos a trabalhar na capa e nos detalhes finais. Bem a propósito do tema central desse romance ( a mãe, o pai ), ando a ler um romance vencedor do Prémio Gongourt 2016 -  Canção Doce , de Leïla Slimani. Somando a isto, o facto de ter chegado há cerca de um mês aos temidos 30 lançou-me numa senda existencial sobre a questão da reprodução. Ter filhos ou não ter, eis a questão. Toda a gente me dirá que ainda sou nova,  só tenho 30 anos , e  eles só foram pais aos 32, aos 36, aos 40. O problema principal é a disposição. O querer a criança, os momentos bons, e não estar disposta a passar noites em claro, nem mudar lençóis urinados (ou vomitados) a meio da noite. Na semana antes do Natal, dei a mão à minha sobrinha de 3 anos pelo parque da cidade, e fomos espreitar a tenda onde se davam os eventos da quadra em questão. O sol já se tinha posto, e o crepúsculo é a minha altura fav...

As borlas e a dignidade do cidadão

Várias fontes - o Jornal de Notícias, por exemplo - avançaram com a notícia de que se prevê uma diminuição do valor das propinas no Ensino Superior para 2020. Fala-se em fixar a propina anual em 697,00€ . A propina de uma licenciatura, este ano, está nos 871,52€ . Em 2011, quando saí da Universidade, estava perto dos 1000,00€ . O português comemora, mas eu não. Porquê?  Primeiro porque favoreço a equidade acima da igualdade, e o mérito acima de tudo. Identifico-me pouco com esta esquerda moralista em que se fala tanto de igualdade de oportunidades que se acaba a cavar um buraco maior na Economia do país atribuindo ajudas sem critério. De tabela, perde-se a oportunidade de permitir aos estudantes e às famílias portuguesas que amadureçam . Vou tentar simplificar... Primeira questão: caminhar na direção de Ensino Superior gratuito quando não há creche gratuita para as crianças até à pré-escola parece-me absurdo. É como começar a construir uma casa pelo telhado. Assume-se que os pais têm ...