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A mostrar mensagens de março, 2013

Rayuela - iii

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«Em Montevideu era a mesma coisa,uma pessoa não podia amar ninguém de verdade, passavam-se de imediato coisasestranhas, histórias de lençóis ou de cabelos, e tantas outras coisas para umamulher, Ossip, os abortos por exemplo.» cap. 27 Montevideu (1964)

#80 CABOT, Patricia, Um Pequeno Escândalo

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Classificação: 3*** Sinopse:  Quando a bela Kate Mayhew é contratada como dama de companhia de Isabel, a filha obstinada de Burke Traherne, o marquês vê-se numa situação impossível. Dividido entre saber que ela é exatamente aquilo de que Isabel precisa mas, para ele, a pior tentação possível, encontra-se constantemente perto de alguém que ameaça a sua independência. Conhecido pelo seu autodomínio férreo desde o dia em que apanhou a mulher com um amante, Burke jurou nunca mais arriscar-se a casar. Ao aceitar a oferta de emprego de Sua Senhoria, a temperamental Kate enfrenta dois perigos: sua atração irresistível por um homem que abdicou do amor, e um encontro com o seu próprio passado escandaloso... que ela não pode manter secreto para sempre. Opinião:   E com isto desisto da Cabot. Outra personagem estavanada, absurda, ridícula, nem um pouco credível. Diálogos vazios, entre estúpidos. Na página 33 já me apetece começar a pular páginas. E sim, eu tenho sentido de humor, não vale a pena ...

Rayuela - ii

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«- A pintura é outracoisa, não é um produto visual – disse Etienne. – Eu pinto com todo o meucorpo, e nesse sentido não sou assim tão diferente do teu Cervantes ou do teuTirso de não sei quantos. O que dá cabo de mim é a mania das explicações, oLogos entendido exclusivamente como verbo. - Etcétera, disseOliveira, mal-humorado. – Por falar em sentido, a vossa conversa parece umdiálogo de surdos. A Maga cingiu-se aindamais contra ele. «Agora esta vai dizer alguma das suas asneiradas», pensouOliveira. «Primeiro precisa de esfregar-se, de decidir-se epidermicamente.».Sentiu uma espécie de ternura rancorosa, algo tão contraditório que devia ser apura verdade. «Seria necessário inventar-se a bofetada doce, o pontapé deabelhas. Mas neste mundo as últimas sínteses continuam por descobrir. Pericotem razão, o grande Logos vela. Que pena, fazia falta o amoricídio, porexemplo, a verdadeira luz negra, a antimatéria que tanto dá que pensar aGregorovius. » cap. 9

Rayuela - i

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« A desordem em que vivíamos, isto é, a ordem segundo a qual um bidé se vai convertendo natural e paulatinamente em arquivo de discos e de correspondência por responder , parecia-me uma disciplina necessária, ainda que não quisesse dizê-lo à Maga. Tinha-me levado muito pouco tempo a compreender que não havia por que apresentar a problemática da realidade em termos metódicos à Maga; o elogio da desor dem tê-la-ia chocado tanto como a sua denúncia. Para ela não havia desordem, soube-o no mesmo momento em que vi o conteúdo da sua mala (foi num café da rue Réamur, chovia e nós começávamos a desejar-nos), e depois de ter reparado nesse detalhe, eu aceitei-o e favoreci-o; a minha relação com a maior parte das pessoas era feita dessas desvantagens, e quantas vezes, deitado numa cama que não era feita há muitos dias, ouvindo a Maga chorar porque um bebé no metro lhe tinha trazido à memória Rocamadour ou vendo-a pentear-se depois de ter passado a tarde inteira em frente a um retrato de Leonor d...

#79 HIRST, John, Breve História da Europa

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Classificação: 4**** Uma perspectiva única daEuropa pelos olhos de um Professor Universitário de Melbourne. A História é,tantas vezes, uma questão de prisma. Com isto em mente, deixei-me maravilhaspelo modo singular como um cidadão de outro continente analisou o percursohistórico da Europa, um continente que tanto contribuiu (tantas vezes atravésdos meios errados) para o pé em que o mundo se encontra actualmente. Este pequeno “resumo” da nossahistória conjunta foca-se no raiar de uma civilização, evidenciando a importânciada sabedoria grega e da organização romana para a construção da nossaidentidade civilizacional. Da democracia grega ao Direito romano, acompanhamoso modo como estes elementos chave foram tendo mais e menos destaque nodesenvolvimento da Europa, que, segundo John Hirst assenta sobre três pedrasfundadoras: a Cristandade , a Cultura Greco-Romana e os Guerreiros Germânicos . A intersecçãodestes três elementos permitiu que o Velho Continente nascesse sob o signo emque se t...

#78 SARAMAGO, José, As Intermitências da Morte

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( acherontia atropos ) Classificação: 4,5****/* Sinopse:  «No dia seguinte ninguém morreu.» Assim começa este romance de José Saramago. Colocada a hipótese, o autor desenvolve-a em todas as suas consequências, e o leitor é conduzido com mão de mestre numa ampla divagação sobre a vida, a morte, o amor, e o sentido, ou a falta dele, da nossa existência. Opinião: Oque se espera desta obra é, além da escrita signatária do nosso Nobel daLiteratura (1998), um retrato duma sociedade a quem a morte (ela exige que nãose use maiúscula) virou as costas. Um ensaio sobre o fim magistralmente conduzido... Saramago expõem-nos um conto(posso dirigir-me a esta obra nestes termos?) reflexivo, do interesse dequalquer ser vivo temente à morte - mais do que a deus.  Na primeira metade do livro (por vezes um pouco exaustiva, devido a tantas hierarquias e pontos de vista acerca deste fenómeno de não-morte , assistimos à reacção de um país às inesperadas "férias" desta entidade.  Se a morte deixass...

Quem me dera ter tempo para...

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Não sei se é da falta de tempo, se culpa de uma certa apatia, se é das obras que tenho escolhido, mas... Gostava muito de me dedicar (em breve) às seguintes leituras, já que isto anda muito enferrujado este ano: Vejamos se o tempo me sobeja ...

Scarlett & Rhett

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«Jamais te passou pela cabeça que eu te amasse tanto como um homem pode amar uma mulher? Que te amei durante anos antes de seres minha? Durante a guerra, parti para longe na esperança de te esquecer, mas não deu resultado, tive de voltar. Depois da guerra deixei-me prender, porque vim em tua procura. Amava-te tanto que julgo que seria capaz de matar Frank Kennedy [marido dela, à época] se ele nao morresse de outra forma. Amava-te, mas não queria que o soubesses. Tu és cruel para com os que te amam, Scarlett. Pegas no amor deles, fazendo-o estalar sobre as suas próprias cabeças, como um chicote (...) Sabia o que pensavas de Ashley, mas, insensato como era, pensei conseguir um dia o que não tinha. Podes rir, se quiseres; a verdade é que pretendi tomar cuidado de ti e dar-te tudo o que desejasses. Quis casar contigo, proteger-te, conceder-te carta branca em tudo que te fizesse feliz... (...) Ninguém sabia tão bem como eu as privações por que havias passado. Quis que deixasses de combater...

#77 DURAS, Marguerite, O Amante

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Sinopse:  Saigão, anos 30. Uma bela jovem francesa conhece o elegante filho de um negociante chinês. Deste encontro nasce uma paixão. Ela tem quinze anos e é pobre. Ele tem vinte e sete e é rico. Os amantes, isolados num mundo privado de erotismo e auto-descoberta  desafiam as convenções da sociedade. Enquanto ela desperta para a possibilidade de traçar o seu próprio caminho no mundo, para o seu amante não há fuga possível. A separação é inevitável e tragicamente cadenciada pelos últimos acordes da presença colonial francesa a Oriente. A jovem é a própria autora e este é o relato exacerbado de uma paixão inquieta e dilacerante. De tão etérea, a sua realidade gravar-lhe-ia no rosto marcas implacáveis de maturidade. Para o mundo, fica uma obra que contém toda a vida. Obra intemporal, relato de um mundo perdido,  O Amante  foi vencedor do prestigiado Prémio Goncourt, em 1984, e confirmou o génio literário de  Marguerite Duras , nome cimeiro da literatura mundial. «Muito cedo na minha vida...