Balanço de 2024
Eu sei que o balanço de cada ano se faz no Ano Novo, mas eu prefiro fazê-lo agora, no Natal. É no Natal que faço o balanço das relações, das alegrias, das tristezas, sobretudo das ausências. Desde pequena, sempre adorei o Natal. Desde pequena, o Natal foi sempre uma altura complicada. Nunca sabia se a família ia estar reunida. Se ia haver harmonia, se ia haver tréguas. Se o meu pai ia estar bem ou chateado, porque em dias de maior carga emocional as dependências químicas também batem com mais força. Não sabia se a minha mãe ia aparecer e, aparecendo, se viria sóbria, alegre ou embriagada e cheia de acusações. Não sabia se ia ver os meus irmãos, estar com eles, e se eles estariam melhor ou pior do que eu. Era costume que o Natal fosse época de generosidade, mas não de abundância nem de exageros, nem de mesa farta, nem de pessoas gratas por estarmos uns com os outros. Havia o tio amuado. A mãe amargurada, o pai desinteressado, a avó cansada e desanimada, o avô que só queria um copo de P...