Better days
Os meus olhos procuram, acima de tudo, beleza. Para meu contentamento, comecei a recebê-la das coisas que me saem da mão. Ora vejam estas sapatilhas de bailarina que pintei há uns dias, a pastel de óleo. Não me canso de as admirar. Pergunto-me se o rumo da minha vida teria sido diferente se, no passado, me tivesse apercebido de que isto já estava cá dentro. Viver no campo também passou por uma estratégia de extrair de mim o que de eventualmente bom, luminoso e saudável ainda pudesse vir à tona. Não têm sido dias propriamente bons. Tenho dormido pouco e mal, seja por causa das preocupações com as contas para pagar, seja porque arranjei dois cães que me alertam para o fim do mundo a cada vez que um pássaro agita os ramos da laranjeira, no quintal. Confirmo, contudo, que tudo à nossa volta corre melhor quando nos esforçamos por ser minimamente pacientes e equilibrados. Sinto-me quase incapacitada para o trabalho, com uma capacidade de concentração cada vez mais reduzida. Porquê? Porque es...