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A mostrar mensagens de setembro, 2024

Ut pictura poesis

  Nunca como agora - quase a chegar aos 35 anos - estive tão ciente das minhas limitações. Paradoxalmente, isso deixa-me mais orgulhosa das minhas conquistas. Afinal, sempre fui uma cabeça de vento ambulante, dividida entre o tédio e o entusiasmo, acordada de noite e sonolenta de dia, que recorda pormenores absurdos mas não consegue lembrar-se de detalhes importantes nem que tenha a vida em risco. A casa é o equilíbrio entre a pessoa desarrumada e a que odeia desordem. As refeições são preparadas no joelho ou encomendadas por desespero. A pintura é uma indulgência, bem como os animais, a coleção de livros. Há dias em que estranho ter escrito e publicado tanta coisa, há outros em que não compreendo como não escrevo mais, tendo uma cabeça tão prolífera em ideias. O sítio para onde vou morar é escuro, muito escuro. A única estrada que conduz àquela fachada caiada e àquele torreão medieval está atapetada de animais atropelados. Enquanto conduzo nela, repito: atropela, atropela, atropela . ...

Falésias

Entre ontem e hoje pintei bastante. Umas oito (?) aguarelas, três temas no total. Uma mulher à beira mar, perante o rebentamento das ondas - com a variação de ter uma menina pela mão -, uma paisagem com casa de campo e campos de lavanda e campos de lavanda com uma casa de campo (parece a mesma coisa, mas não é).   Enquanto pintava, pus a  Not Alone , do Ólafur Arnalds em repeat. Partilhei-a no IG e vieram dizer-me para assistir à série Broadchurch, britânica, à qual a composição pertence. Vi a primeira temporada da série, achei muito boa, mas gostei, acima de tudo, da banda sonora. É engraçado como as bandas sonoras me apanham com tanta facilidade. O que mais adoro no Interstellar é precisamente a banda sonora, em especial a No Time for Caution e, claro, a Cornfield Chase .   Há dias, dei uma espécie de entrevista de vida, focada em mim e na minha história, na minha infância, nos meus defuntos e nas minhas doenças mentais - não sei bem se deva colocá-lo assim. Acho que uma doença ment...