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A mostrar mensagens de fevereiro, 2020

Wishlist #1

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Ando louca para ter tempo (e dinheiro) para me atirar a estes: Memórias, Sonhos, Reflexões - C. G. Jung «Apenas me consigo entender na luz de acontecimentos interiores, pois são estes que criam a singularidade da vida, e é deles que a minha autobiografia trata.» [ Carl Jung ] Este livro é a biografia de um dos psiquiatras mais influentes dos tempos modernos, e foi realizada a partir dos seus discursos, conversas e escritos. Na primavera de 1957, quando tinha 81 anos, Carl Gustav Jung decidiu narrar a sua vida. Memórias, Sonhos e Reflexões é o resultado desse desejo, sendo composto por conversas com a sua colega e amiga Aniela Jaffé e por capítulos escritos pelo próprio, entre outros materiais. Jung escrever as páginas finais do manuscrito dias antes de morrer, a 6 de Junho de 1961, o que torna este livro uma reflexão única sobre a vida e a obra do autor. O Outono em Pequim - Boris Vian O romance O Outono em Pequim é de 1947, o mesmo ano em que Vian escreveu A Espuma dos Dias. Publicad...

#245 FREUD, Sigmund, Cinco Conferências sobre Psicanálise

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Opinião:    Freud foi um revolucionário que se atreveu a estudar o comportamento humano, a traçar a história do indivíduo, a escutá-lo, a seguir as suas neuroses até à origem. Para isso, teve de se despir de muitos dos preconceitos e ideias pré-concebidas da época. Teve de sujar-se e de chocar. Por muito que os seus métodos pouco tivessem de científico, são a pedra base para o entendimento de traumas e neuroses, e como curá-las. Interessou-me sobretudo a sua asserção de como a sociedade, a civilidade, reprimem impulsos básicos do Homem enquanto animal, e de como isso conduz à doença de espírito e às chamadas "perversões". “Antes ainda da puberdade, assiste-se ao recalcamento enérgico de certos instintos, e forças psíquicas como a vergonha, a repugância ou a moral estabelecem-se como guardiões destes recalcamentos. Com a puberdade, a maré cheia do apetite sexual será repreada pelas chamadas formações reativas ou de resistência, que canalização o seu curso para as vias ditas no...

Casais que se odeiam

Acordei com um estrondo e abri os olhos para a escuridão absoluta do meu quarto. As persianas não estavam completamente fechadas, mas havia pouca luz a projetar-se nas paredes. Significa que era muito cedo. O telemóvel devolveu-me a hora: 05h22. O estrondo devia-se a uma porta que batia, e que voltou a bater. Ecoou por todo o prédio, galgou talvez dois andares e acordou-me no meu cantinho do edifício. Arrancou-me ao sono. Repeti várias vezes para mim: quem será o boi? E depois, para poder voltar a adormecer satisfeita, pensei em escrever numa folha A4, que depois deixaria exposta na porta do prédio, a seguinte mensagem: "Quem foi o boi que bateu com a porta às 05h22 da manhã como se fechasse o portão da quinta?" Neste prédio vive pelo menos um casal que se odeia . Já no outro prédio também vivia pelo menos um casal que se odiava. Do lar do casal que se odeia, escorrem tentáculos de tinta escura escada acima e escada abaixo, de veneno amargo e letal. Chegam-nos gritos, ofensas...

#244 HAMSUN, Knut, Victoria

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Sinopse:   «Hamsun é o mais notável escritor norueguês desde Ibsen.» (Times Literary Supplement) «Victoria», livro de rara beleza narrativa, é uma das obras mais representativas de Knut Hamsun. O enredo marca o regresso do autor de «Pan» – escrito quatro anos antes – ao tema do trágico desencontro amoroso, que tem na descrição da beleza taciturna e melancólica da natureza nórdica o seu espelho. Johannes, filho de um modesto moleiro, que em jovem sonha trabalhar numa fábrica de fósforos para ter os dedos sempre sujos de enxofre e assim não ter de apertar a mão a ninguém, ama Victoria, jovem de família aristocrata mas com poucos meios financeiros. Contudo, o deles será um amor impossível, pois Victoria vê-se obrigada a casar com o rival Otto para salvar a família da bancarrota. Em adulto, Johannes tornar-se-á num poeta, que se orgulha de conhecer os nomes das árvores e dos pássaros. Continuará a jurar amor eterno a Victoria, mas o sentimento que nutre por ela é fruto da obsessão, do orgu...

Separação

Hoje pus-me a pensar em separação. Ah, como deve doer uma separação. Como a verdade de um momento se transforma e se torna incompatível com o agora. Como o ontem foi aproveitado com uma vaga noção de finitude, e de repente o fim surge. Como deve doer conhecermos a fundo outra pessoa, nos momentos mais íntimos, mais privados, e como isso deve tornar insuportável a ideia de imaginar essa pessoa nas mesmas circunstâncias, mas com outro a seu lado. Saber que há pouco tempo os pés se entrelaçavam debaixo da colcha, e que a respiração adormecida do outro nos fazia cócegas no pescoço, e agora desapareceu. Que o beijo à chegada, o beijo de saída, o buscar o colo dessa pessoa, a curva do ombro dela onde a nossa cabeça encaixava com tanta naturalidade… Agora é outra cabeça lá, outra voz a fazê-lo rir. Pensar que a gentileza que nos foi dirigida agora abre portas e afasta cadeiras a outra pessoa. Aquela voz de madrugada, a rasgar a escuridão da noite, a dizer-nos o indizível, a abrir-nos a alma e...

#243 COETZEE, J. M., Desgraça

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Sinopse:  Desgraça é muito mais do que um relato social: é um relato de sobrevivência pessoal numa sociedade decadente. Passado na África do Sul pós-apartheid, este romance sincero e despudorado centra-se em David Lurie, professor universitário na Cidade do Cabo, de meia-idade, divorciado, que divide o seu tempo entre o desânimo das aulas e as satisfações momentâneas que encontra numa prostituta. Quando esta o deixa de atender, David desvia as atenções para uma jovem aluna, começando uma aventura sexual que, quando tornada pública, o leva ao despedimento e à humilhação.   Opinião:  "Está bem, eu vou. Mas só se não tiver de me tornar numa pessoa melhor. Não estou preparado para me regenerar. Quero continuar a ser eu mesmo."   Galardoado com o prémio Nobel da Literatura em 2003, J.M. Coetzee é um Sul-africano naturalizado australiano. Este é o primeiro romance que li da sua autoria, e já acrescentei à lista, para ler,  À Espera dos Bárbaros .   Interessa-me muito ler sobre Áfri...

#242 STEINBECK, John, A Leste do Paraíso

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Opinião:  "E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; acaso sou eu guardador do meu irmão?"  (Génesis 4:9) A Leste do Paraíso é um romance publicado por John Steinbeck em 1958, dez anos antes da sua morte e quatro anos antes de lhe ser concedido o Nobel. Li-o convencida de que a maturidade do escritor, em termos de imaginação, de domínio da língua e de compreensão do animal humano estavam no seu auge. Esta percepção levou-me a considerar que esta teria sido a última obra em vida de Steinbeck, mas estava errada. Assim sendo, o apogeu do autor não ocorreu necessariamente quando estava em posse de maior compreensão do mundo ao redor, mas num instante de clarividência em que decidiu debruçar-se sobre a sua família e os seus antepassados, e sobre a vivência dos habitantes do Vale do Salinas, na Califórnia. "Então Caim deixou a presença do Senhor, e viveu na terra de Nod, a Leste do Paraíso."  (Génesis 4:9) Emprestando a esta obra um cunho v...

#241 SLIMANI, Leïla, Canção Doce

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Sinopse:   Mãe de duas crianças pequenas, Myriam decide retomar a actividade profissional num escritório de advogados, apesar das reticências do marido. Depois de um minucioso processo de selecção de uma ama, o casal escolhe Louise. A ama rapidamente conquista o coração dos pequenos Adam e Mila e a admiração dos pais, tornando-se uma figura imprescindível na casa da jovem família. O que Myriam e Paul não suspeitam - ou não querem ver - é que a sua pequena família é o único vínculo de Louise à normalidade. Pouco a pouco, o afecto e a atenção vão dando lugar a uma interdependência sufocante, com o cerco a apertar a cada dia, até desembocar num drama irremediável. Com um olhar incisivo sobre esta pequena família, Leila Slimani aponta o foco para um palco maior: a sociedade moderna, com as suas concepções de amor, educação e família, das relações de poder e dos preconceitos de classe. Com uma escrita cirúrgica e tensa, eivada de um lirismo enigmático, o mistério instala-se desde a primeira...

#240 VOLTAIRE, Cândido ou o Otimismo

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Sinopse:  Cândido ou o Otimismo  é um conto filosófico de Voltaire, publicado pela primeira vez em Genebra em janeiro de 1759. A par de  Zadig e Micromégas , é um dos escritos mais famosos de Voltaire, tendo sido reeditado vinte vezes em vida do autor. O livro é pretensamente traduzido de uma obra alemã do Dr. Ralph, pseudónimo utilizado por Voltaire para evitar a censura. No essencial, trata-se de uma crítica às teses do filósofo alemão Leibniz, convencido da excelência da criação divina, através dos princípios da «razão suficiente» e da «harmonia preestabelecida». Voltaire faz essa crítica através das aventuras de Cândido, um jovem alemão possuidor de um espírito simples e reto, nascido como filho ilegítimo no seio da nobreza e adotado pelo barão de Thunder-ten-Tronckh. É no castelo deste que vai ser educado por Pangloss, partidário, como Leibniz, de que «tudo está o melhor possível». Depressa se torna evidente para os leitores o sarcasmo com que Voltaire trata não apenas as teses de...

Novelas Portuguesas

Num país com pelo menos 900 anos de História interessante, com o sucesso que foi no Brasil minisséries como Os Maias , O Quinto dos Infernos , A Muralha , e em Portugal julgo que Madre Paula também ter-se-á saído bem nas audiências, porque continuamos a mentir sobre a nossa cultura nas telenovelas que pomos cá fora? Porque não celebrar Portugal e os Portugueses, a sua contemporaneidade e a sua História, com enredos fidedignos e menos dramatizados?   Fantochada - é o adjectivo que os meus avós usam para descrever as novelas portuguesas. Envergonham-me. Tento fugir delas mas os cartazes andam por aí. Ligo a TV à tarde e estão a dar. Nos intervalos dos programas de televisão surgem comerciais com pessoas de cara afectada a fitarem-se de modo tenso. E o que se ouve nesses anúncios? Nas capas das revistas sensacionalistas? X foi raptada. Y está grávida! Z é violada. O empurra N das escadas e N perde o filho. K mata L. E por aí adiante.   O que é isto? Isto é Portugal?   Esta violência grat...

O hábito irrefletido de oferecer álcool

Há dois hábitos que os portugueses incitam na sua sociabilidade que me parecem nefastos, ou com potencial para isso. Pergunto-me se já pensaram nesta questão, ou se, inclusive, estão envolvidos nesses problemas. Assim como é preciso uma aldeia para educar uma criança, também é preciso uma família ou um bom núcleo social para se superar um vício ou uma compulsão. Começo por falar do álcool, porque é o que me parece mais grave . É preciso estarmos a antibiótico, ou a conduzir, ou a psicotrópicos para podermos esquivar-nos de aceitar álcool. Nunca tinha reparado nisso até dar por mim a anti-depressivos, há largos anos, e a sair à noite. A quantidade de vezes que eu tinha de repetir que estava bem, que não queria vinho, não queria um cocktail , não queria uma cervejinha, não queria mesmo um shot de ginjinha, ainda que a Maria fosse para Erasmus e quisesse despedir-se, não, não podia mesmo beber uma ginjinha, nem sequer tratando-se da caseira feita pelo avô da Maria. Tudo bem, não ia ficar ...