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A mostrar mensagens de agosto, 2019

#230 CLAUDEL, Philippe, O Arquipélago do Cão

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Opinião: Este livro poderia chamar-se  Manual para a corrupção .  Depois de ler  O Barulho das Chaves  e  Almas Cinzentas , rendi-me a Philippe Claudel. Sobretudo o último romance marcou-me de forma inesperada, e recordou-me de outro autor Francês cujo trabalho também admiro:  Sébastien Japrisot , falecido em 2003, que me encantou com  Um Longo Domingo de Noivado . Este  "O Arquipélago do Cão"  foca-se, como a própria sinopse indica, em torno do facto de o nosso Mediterrâneo se estar a tornar num cemitério, um repositório das vítimas de guerras, fome, crises humanitárias em geral. É clara a premissa do livro, que sugere que há uma  responsabilidade coletiva  no modo como gerimos a situação, mas é tudo tão mais complexo do que isso. Creio que não se discute aqui a humanidade dos  três corpos que dão à costa , nem a dignidade daquelas pessoas com base na cor de pele ou crença religiosa. Parece-me que o ponto fulcral, e que passa ao lado do romance porque este tem um tom apress...

#229 DOSTOIEVSKI, Fiódor, Crime e Castigo

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"Vês, eu nesse tempo perguntava sempre a mim próprio: porque sou eu tão estúpido que, se os outros são estúpidos, e eu sei que são, não quero ser mais inteligente? Depois descobri, Sónia, que se ficamos à espera que os outros se tornem inteligentes, passará demasiado tempo… Depois descobri também que isso nunca acontecerá, que as pessoas não mudarão e ninguém as fará mudar e não vale a pena o esforço!” “Crime e Castigo”, publicado inicialmente em 1866 por capítulos no “Mensageiro Russo”, tornou-se um clássico da literatura internacional. Confesso que a minha curiosidade quanto aos tão aclamados romances russos nunca foi muito intensa – li  A Sonata de Kreutzer  e  Fumo  sem encontrar nada de extraordinário excepto, talvez, algumas reflexões acerca da condição humana e uma dificuldade imensa em acompanhar aqueles caráteres impulsivos, auto-destrutivos e aqueles nomes que me soam tão exóticos. Procurei em “Crime e Castigo” traços do romantismo que, trinta anos anos, lavrava por toda...

#1 - Jonathan Bate on the Age of Romanticism

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Wanderer above the sea of fog - Casper David Friedrich "Romanticism is above all a movement of ideas. The idea of revolution and the idea of nacionalism. The preposterous sugestion that women, slaves and even animals might have rights. Reverence the nature, vegetarianism and enviromental conscienceness. The radical theory of anarchism and the conservative theory of the organic state. The cult of personality and the very idea of sincerity. The reinvention of poetry as the expression of the self. The belief that nothing matters more to us as human beings than our sensations, our feelings. That individualism and individuals' ideals, whatever they might be, define our freedom and our modernity (...) The modern meanings of the words imagination, creativity, genius, literature. The freedom fighter on the streets and the hiker in the mountains. (...) The alarming notion that it might be glamorous to take drugs and to commit suicide or, at the very least, to live hard and die young. T...

#228 NABOKOV, Vladimir, Lolita

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Opinião:   Este livro é um daqueles que se pega à pele de quem o lê e assim segue, vida afora. Não me esquecerei da mente conspurcada do Humbert, a ousadia da Lolita e o ambiente doentio que é proporcionado por estas duas pessoas, tão retorcidas, tão marcadas pelo pior da natureza humana. Foi a primeira vez que dei por mim dentro da cabeça do vilão e, consequentemente, surpreendi-me ao desejar que os seus planos se concretizarem sem embaraços. Alguma magia o Nabokov dedicou a este "Lolita" Classificação: 5***** Sinopse:   «Quase quarenta anos depois, este romance tão artificial criou uma nova palavra internacional ("lolita"), inventou uma América — a dos motéis e autoestradas — de que se nutre ainda boa parte da narrativa americana contemporânea, é uma das obras com o inglês mais rico e preciso da literatura deste século e, ao contrário das acusações iniciais de pornografia que teve de sofrer, é talvez — e no que me diz respeito — o romance mais melancólico, elegant...