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A mostrar mensagens de julho, 2013

#97 CLAUDEL, Philippe, O Barulho das Chaves

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Philippe Claudel é perturbador. Entranha-se-me nos ossos. Em tantos anos de leitura, consegue uma coisa que meé já rara: intrigar-me. Este homem intriga-me. Além de me intrigar, deixa-mepresa a ele. Ainda só li duas das suas obras – O Barulho das Chaves e Almas Cinzentas . O Barulho das Chaves contém pequenos relatos, muito fáceis de ler,compilados em 76 páginas. Refere-se aos onze anos que passou a ensinar Francêsnum estabelecimento prisional. Este livro, tão cinzento quanto a sua outra obraque li, ajuda a compreendê-lo para lá do explicável. Claro que Claudel escreveuo Almas Cinzentas . Quem se não um homem que lidou com esta dicotomia de coresna natureza humana poderia escrever um livro sobre sermos todos cinzentos, enão exactamente brancos ou pretos? Claudel é ousado. Claudel tira-meo sono. Açambarca-me os pensamentos, conquista-me e transforma-me. A cada livroseu uma nova inquietação. A natureza humana perante a minha vista, tão claracontada pela sua voz, tão genuína nas suas pe...

#96 LAVADO, L.C., Inverno de Sombras

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Opinião: Way to go , Liliana! É tudo o que me ocorre quando acabei, há cinco minutos, o mind blowing que foi terminar o “Inverno de Sombras”. Foi-me outra chapada sem mão. O que li eu de fantasia na minha vida? Dois livros do Tolkien – que apreciei bastante, sim – e o Harry Potter. Ah, o Frankenstein pode ser considerado fantasia? Li os livros da Andreia Ferreira, que me introduziram neste mundo, and that’s it . E aqui a Célia, que faz um esforço sobrehumano para mergulhar nisso das vampiragens, fantasmas, lobisomens, feiticeiros e bruxas – e que foge a sete pés da Alice no País das Maravilhas – está boquiaberta com a maravilha que acabou de ler. Mais outra peça-chave no mundo trémulo da ficção fantástica onde continuo a dar passinhos de bebé. Imaginação para mundos que não existem? Não tenho nenhuma . Costumo ter até uma certa dificuldade em abstrair-me. Mas verdade seja dita que poucos livros tiveram de mim o entusiasmo que o Harry Potter conseguia sem esforço. Ler – acreditar – ...

#34ª Maratona Literária

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Para a 34ª Maratona Literária 27 de Julho à 00h00 e termina dia 4 de Agosto às 23h59 Conto: Avançar o máximo possível no Conde de Monte Cristo Acabar este (literalmente) Inferno Intercalado com este pequeno volume do meu adorado Claudel Com esta obra promissora E esta história que se adivinha perturbadora Terminar de ler o meu "Funeral", para que possa comentá-lo em retrospectiva E mergular no Maria Antonieta que, sendo do Zweig, é certamente de qualidade. Ó Nosso Senhor dá-me forças para ler isto tudo, preciso desesperadamente de despachar volumes da prateleira!

#95 CORTÁZAR, Julio, O Jogo do Mundo

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Opinião: Eu quis muito apaixonar-me por este livro. Vivê-lo, digamos assim. La Rayuela, capítulo 7. Na voz de Julio Cortázar, senti a boca cheia de flores ou peixes enquanto beijava um grande amor. É o meu pedaço favorito de literatura de sempre. Por muito que o livro não seja o meu favorito, essa preciosidade é. É um livro intimista, todo ele poderia passar-se dentro da cabeça (conturbada) do Oliveira, que deambula nas ruas de Paris. São pessoas complicadas, o Oliveira, a Maga e o Clube da Serpente, que discutem questões literárias. Abrem uns quantos debates nesta área e apresentam-nos Blues de excelente qualidade. É um retrato intimista de uma pobreza que o não é de mente. Nus de personagens poderosas, multidimensionais, que tocam e mudam e aconchegam a vida uns dos outros. Um estilo narrativo difícil, volátil, com rasgos de genialidade. Amei de paixão cerca de 75% do livro, mas a retirada de uma das minhas personagens favoritas da acção originou uma cisão na leitura. Voltei a pegar...

#94 ALCOFORADO, Mariana, Cartas Portuguesas

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Na realidade já as tinha lido anteriormente, mas não sei se tinha lido todas e com o espírito com que as li agora. Estava em Beja, com as minhas duas irmãs, e senti necessidade de as ligar àquela cidade tanto quanto lhe sou ligada. Aproveitei as tecnologias para baixá-las da  internet  e ler-lhas, visto que no dia seguinte iríamos ao Convento da Conceição ver a janela que, afinal, não está no local original. Apenas os ferros são os mesmos. Os franceses reinvindicam a autoria destas cartas, originalmente publicadas em 1669 em França e, posteriormente, na Alemanha. Não acredito que a profundidade deste retrato psicológico feminino pertença a um qualquer "escritor". Creio realmente que estes queixumes partem da mão da pessoa que sofreu, na pele, as agruras dum amor enganado, não correspondido. Nas duas primeiras cartas, Mariana transparece o sopro nefasto da esperança, do desengano. Está apaixonada e crê que o Marquês de Chamilly sente igualmente a sua falta. Com o avançar das c...

#92 HOYT, Elizabeth, Vertigem de Paixão

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Sinopse:  Durante anos, Melisande Fleming amou Lorde Vale de longe... vendo-o seduzir uma sucessão de amantes e, uma vez, entrevendo a intensidade de sentimentos sob o seu exterior despreocupado. Quando ele é abandonado no dia do casamento, ela enche-se de coragem e oferece-se para ser sua mulher. Vale tem todo o gosto em desposar Melisande, nem que seja apenas para produzir um herdeiro. Porém, tem uma agradável surpresa: uma dama tímida e recatada durante o dia, ela é uma libertina durante a noite, entregando-lhe o seu corpo... mas não o seu coração. Decidido a descobrir os segredos de Melisande, Vale começa a cortejar a sua sedutora mulher - enquanto esconde os pesadelos dos seus dias de soldado nas Colónia que ainda o atormentam. No entanto, quando uma mortífera traição do passado ameaça separá-los, Lorde Vale tem de expor a sua alma à mulher com quem casou... ou arriscar-se a perdê-la para sempre. Opinião:  Diálogos fúteis, mas estranhamente adequados à época - vestidos, corte form...

#91 TOLSTOI, LEO, A Sonata de Kreutzer

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Um livrinho tão pequeno e com tanta intensidade! Foia minha estreia com Tolstoi e maravilhou-me. É daqueles livros em que, determos experienciado apenas a amargura de um lado da moeda, nunca saberemos oque sucedeu de resto. Este é um livro sobre um ciumento doentio, inseguro,cronicamente insatisfeito? Ou sobre um homem honesto que, na tentativa de setornar num modelo de moralidade, casa como de si é esperado e é vítima duma viltraição? Haverá, de facto, traição? O livro começa com uma viagem de comboio ondedesconhecidos partilham a mesma carruagem. São russos numa Rússia do últimoquartel do século XIX. Pessoas que procuram acompanhar o progresso tecnológico,intelectual e, sobretudo, social da Europa, tantas vezes evocada como termo decomparação. Em seguida a história esvoaça para um caso que sucedeu há pouco: ummarido que matou friamente a sua mulher, por suspeita de traição. Um dospassageiros é esse marido assassino, que se dispõe a contar ao nosso narrador oque aconteceu para o levar...

#90 ROSA, Carina, O Intruso

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Opinião: Foi a minha estreia com a Carina Rosa. Tal como muitos outros leitores, também tenho sempre um certo “pé atrás” com os livros portugueses. Isto porque já li alguns mesmo muito maus, como sejam o de um beta-reading que fiz há pouco e que me deitou por terra. Não me ocorria um único motivo lógico pelo qual alguém quereria escrever tal livro e, pior ainda, porque o consideraria digno de ser lido por outrem. Mas isto não é sobre essa experiência infeliz, é sobre o livro da Carina Rosa. Eu não sou muito ligada ao sobrenatural, tem que ser muito credível para me convencer. Por exemplo, eu não duvido nada que a Terra Média e Westeros existam - já lá estive! Mas não achei o enredo muito credível. Achei as personagens demasiado fáceis a dar-se (não é a dar um primeiro beijo ou um primeiro gesto de afecto). É a “dar-se”. Puff e estão apaixonados. E não sei se as suposições acerca de onde se conheceriam foram muito convincentes. O assunto das vidas passadas ficou um pouco subexplorado....