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A mostrar mensagens de junho, 2020

#253 TOLSTÓI, Lev, Guerra e Paz (Vol. II)

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Opinião:  Maravilhoso! Ainda melhor que o primeiro volume. "Se o homem pudesse achar um estado em que, sendo ocioso, se sentisse útil e ciente do dever cumprido, acharia uma das facetas da felicidade primitiva." Neste segundo volume, estamos familiarizados com a miríade de personagens, já lhes conhecemos o passado e começamos a preocupar-nos com o seu futuro. Muita coisa aconteceu ao longo dos quase sete anos (1805-1812) que o livro cobre. Os soldados russos regressam de Austerlitz para a vida em sociedade, sendo que a sua prestação no exército (e na Batalha em específico) se reflete no seu estatuto social. A humanidade de cada personalidade adensa-se. Pierre, sem qualquer ligação aos palcos de guerra, foca-se na aprendizagem e na melhoria do seu carácter, bem como numa série de questões espirituais, Andrei sofre uma reviravolta na sua vida que leva a que se isole e caia em melancolia, e depois, quando o seu destino se cruza com o de outra personagem que nos é cara, vai redes...

#252, TOLSTÓI, Lev, Guerra e Paz (Vol. I)

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Opinião:  Li o primeiro de quatro volumes do incontornável, assustador, megalómano, “Guerra e Paz” (1865-1869) em oito dias. Até a mim me surpreendi. Em primeiro lugar, devo dizer que tinha um chavão ao qual recorria em diversas ocasiões na minha vida. Quando me diziam “Não leste o livro de instruções?”, referente a produto tal, eu replicava “Se tivesse tempo, lia o Guerra e Paz”. O meu interesse por esta obra nunca foi grande – tinha-o na lista dos livros que queria muito ler mas não pelo enredo em si, nem sabia se algum dia haveria de lhe pegar. Queria lê-lo por ser um daqueles livros que devemos ler antes de morrer, só para saber o porquê de tanto burburinho ao seu redor. O desejo de  vencê-lo  intensificou-se o ano passado, quando comecei a dedicar-me à literatura russa. Já tinha lido  A Sonata de Kreutzer , que me pareceu um tanto difícil de digerir – são os nomes, a história, os diminutivos, os lugares, o modo de estar, o afrancesamento da aristocracia russa, tudo tão difícil e ...

O riso dos clinicamente deprimidos

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Há alguns anos que a depressão tem sido uma realidade na minha vida. Nem sempre está activa, mesmo porque, sempre que a sinto a chegar, procuro ajuda. Vou ao Psiquiatra, ao médico de família (não é o mais adequado, mas desta última vez foi a médica de família que me ajudou), faço psicoterapia (de vez em quando...) e tomo a medicação tal e qual me é prescrita. O meu principal demónio é a ansiedade, e os ansiolíticos são drogas altamente viciantes. Assim sendo, os anti-depressivos são a alternativa mais adequada, a médio e longo prazo, para vencer a ansiedade. Tenho lido imenso sobre ansiedade, depressão, e por aí fora. Ouvi inúmeras explicações científicas, outras metáforas interessantes (como a do cão negro que nos segue para toda a parte). Nenhuma explicação me é tão esclarecedora como a que Robert Sapolsky nos oferece neste video .  Como ajudar alguém que tem depressão? Como distinguir uma depressão clínica da tristeza, da pessoa deprimida, do luto? Como ajudar uma pessoa que suspeit...

#251 MAUGHAM, W. Somerset, As Paixões de Júlia

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Opinião: W. Somerset Maugham é o meu autor favorito. Também é possível que já o tenha dito de Steinbeck, e é igualmente verdade. São dois autores com várias obras publicadas, entre contos, romances e novelas, muitos dos quais já tive o prazer de ler. Quando os leio, os seus livros competem apenas com as outras criações deles próprios. Avalio-os pela sua própria escala. No caso de Maugham, durante anos foi também dramaturgo, e terá sido com base nesses conhecimentos da vida nos palcos que escreveu este As Paixões de Júlia, ou, no original, Theatre. É também um gentleman, e das poucas pessoas da História que eu gostaria realmente de ter conhecido. Quem sabe ele me convidasse para a sua casa do Mónaco para tomar chá, e nos tornássemos bons amigos ou, pelo menos pen pals. Este romance centra-se num casal inglês, Michael e Julia, e no modo como ambos dedicam a sua vida ao teatro. Michael é um homem bem parecido, altruísta apesar de avarento, sem outro talento que não a beleza. Julia é uma ...

#250 TORDO, João, A Noite em Que o Verão Acabou

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Opinião: “A Noite em que o Verão Acabou”  é a minha estreia com João Tordo. Terminei o romance com a sensação de que não devia ter começado a lê-lo por este. Julgo entender que este é um livro “fora da sua praia”, em que se aventurou num novo género. Eu não percebo muito do género thriller, mas creio que o thriller é aquele género de filme/livro em que há um bandido à solta e os bons têm de o parar. Aqui, e segundo a sinopse anuncia, houve um crime, há um suspeito e procura-se a verdade. Nesse sentido, diria que é mais um… mistério? Ou um romance no qual acontece um assassinato. Acho mais corretoa ssim: é um romance no qual, por acaso, uma pessoa é assassinada . “Aquele caso era, na verdade, uma história de amor. Ou mais de uma.” Tirei várias conclusões a respeito do livro, e também senti que fiquei  um bocadinho  por dentro daquilo que é o trabalho do autor. Vou ensanduichar a minha opinião, porque há coisas boas e más à mistura. Começando pelas coisas boas  : - A escrita, que é clar...