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A mostrar mensagens de agosto, 2012

Carta ao Escritor, ao Leitor; o Funeral; os Escritos e o "Crítico"

Caros leitores e caros colegas escritores - caro crítico, É maisescritor aquele que escreve do que aquele que publica? Não estou certa disso.Sempre me senti um pouco escritora. Cá na rua cantei bastante em criança, e daíme chamavam “a cantora”. Depois a minha avó denunciou os meus hábitos nocturnosde escrita, e vai daí chamavam-me “a escritora”. Fiquei-me por aqui, creio. Hoje termineia revisão de 430 páginas d’O Funeral da Nossa Mãe. É um trabalho que nãovoltarei a ter na vida respeitante a esta obra e, em respeito à Célia de 2022,mais do que um suspiro pelo trabalho exaustivo terminado, ergo um copo a estemomento. Se é algo em grande? Nem por isso. Nem tão pouco em casa ocomunicarei, até porque ninguém compreenderia e ninguém daria valor. É simples;escrever é-me tão natural que há pouco de extraordinário nisso. É mais comumque eu escreva do que veja novelas, ou que escreva do que vá à praia. É, até,um hábito aborrecido e por vezes inconveniente, porque se mete no caminhoquando os out...

#51 VIDAL, Alexandra - No Coração do Império

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Sinopse:  O Terramoto de Lisboa de1531 foi um duro golpe no coração do Império português. E decidiu a história deMaria da Esperança e Rodrigo Montalvão, um amor intenso que desafiou as regrasda corte de D. João III. Numa manhã fria no início do século XVI, chega aPortugal um carregamento de escravos vindos do Congo. Os melhores negros sãoencaminhados para a corte de D. João III, para servir a rainha D. Catarina deÁustria. Entre eles segue Imani, baptizada como Maria da Esperança pelos fradesportugueses. Pela sua inteligência e natural elegância, destaca-se entre osescravos – é ensinada a ler e a aprender a religião católica. O seu mestre é ogramático Rodrigo Montalvão, um nobre de alta condição, que por ela seapaixona. Nasce, entre ambos, um amor intenso e proibido, que é posto à provano dia 26 de Janeiro, quando se dá o grande terramoto de 1531 que causou amorte de mais de 30 mil pessoas e a fuga de milhares de lisboetas, tornandoirreconhecível aquela que era a grande capital do Impér...

História e romancistas de Portugal

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A História de Portugal tem acontecimentos tão ricos e tão interessantes que não é preciso inventar cenários épicos nem apocalípticos para contar um romance a respeito do país. No entanto, os escritores portugueses não chegam lá. Agora risquem-me do panorama de escritora, por favor. Ainda não me aventurei assim tanto...  Faço parte do Clube de Leitura do Segredo dos Livros e, este mês, inscrevi-me neste "No Coração do Império". Nunca tinha ouvido falar da escritora e a sinopse prometia! Ao final das primeiras 70 páginas já tenho uma boa contagem de coisas que me desagradam e que lamento em relação ao livro. Mas não o porei de lado por um motivo muito simples: é História. Ainda que não esteja a ler um romance, está-me a ser desfiada a História do país em 1520 e tais/30s. Para mim valerá a pena. E, não há dúvida, a Alexandra Vidal fá-lo bem - é Licenciada em História. Também tem algo evidentemente ligado a Documentação/Arquivo. Quanto a ser escritora já não sei, ainda não apanhe...

#51 BALOGH, Mary - Um Verão Inesquecível

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Sinopse:  Kit Butler é um dos mais afamados solteirões de Londres, casar é a última coisa que lhe passa pela cabeça. Mas a sua família tem outros planos. Para contrariar o casamento que o pai lhe arranjou, Kit precisa de encontrar uma noiva... e depressa. Entra em cena Miss Lauren Edgeworth. Lauren foi abandonada em pleno altar pelo seu noivo, Neville Wyatt. Destroçada, decide que não voltará a passar pelo mesmo: nunca casará.   O encontro entre estas duas forças da natureza é tão intenso como uma tempestade de verão... e ambos engendram um plano secreto. Lauren concorda alinhar na farsa em troca de um verão recheado de paixão e aventura. No final, ela romperá o noivado - o que afastará possíveis pretendentes - deixando-os a ambos livres. Tudo corre na perfeição, até que Kit faz o impensável: apaixona-se por Lauren. E um verão já não é suficiente para ele. Mas o tempo não para e Kit sabe que terá de apelar a mais do que as suas vulgares armas de sedução para conseguir convencer Lauren ...

#50 ENRIGHT, Anne - A Valsa Esquecida

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Sinopse:   Gina recorda a senda de desejo e de acaso que a levoua apaixonar-se por Seán, «o amor da sua vida». Enquanto a cidade lá fora ficaparalisada pela neve, Gina recorda os tempos que passaram em diversos quartosde hotel: longas tardes que a felicidade e a negação tornaram indistintas.Agora, enquanto as ruas silenciosas e a quietude e a vertigem da neve que caitornam o dia luminoso e pleno de possibilidades, Gina enfrenta a intempériepara se ir encontrar com uma rapariga a quem chama o «belo erro» de Seán: Evie,a sua frágil filha de doze anos. Neste romance extraordinário, uma espécie decaixa de segredos, deparamo-nos com o relato de acontecimentos súbitos edecisivos da vida quotidiana, com as relações voláteis entre as pessoas, com afrescura do olhar para cada estremecimento e gesto, com a captação irónica eexata das famílias, do casamento e da fragilidade da meia idade. São evidentestoda a verve, o humor e o extraordinário controlo característicos da autora,bem como a capacidad...

#49 MAUGHAM, Somerset - O Véu Pintado

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Sinopse:   «Kitty sente-se prisioneira de um casamentoinfeliz e de um estilo de vida que está longe de ser aquele que sonhou para si.Sem que tivesse obtido a notoriedade social que desejava e afastada do seu paíse da família devido à profissão do marido – bacteriologista destacado para HongKong –, a jovem acaba por encontrar algum consolo numa relação extra conjugal.Mas a traição acaba por ser descoberta pelo marido, que leva a cabo umaestranha e terrível vingança… Através do despertar espiritual daadorável e fútil Kitty, Somerset Maugham pinta um retrato vívido da presençabritânica na China e apresenta-nos uma galeria de personagens inesquecíveis.» Opinião: "O Véu Pintado", adaptação com Edward Norton e Naomi Watts, é dosmeus filmes favoritos. A banda sonora é simplesmente sublime! Li trechos dolivro a ouvi-la, amplamente comovida pela beleza e a nostalgia que transmite.Já ouvi quem dissesse que estava muito aquém do livro, mas hoje, e terminada aleitura, considero até que ...

»O Véu Pintado

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«- Nunca tive ilusões a seu respeito - disse. - Sabia que era pateta, frívola, uma cabecinha oca. Mas amava-a. Sabia que os seus objectivos e ideais eram triviais, lugares comuns. Mas amava-a. Sabia que não era lá grande coisa. Mas amava-a. É engraçado quando penso no esforço que fazia para achar graça às mesmas coisas e na ansiedade com que lhe escondia que não era ignorante, banal, maledicente e estúpido. Sabia como a inteligência lhe metia medo e fazia tudo o que podia para que pensasse que eu era tão idiota como o resto dos homens que conhecia. Sabia que só tinha casado comigo por conveniência. Mas amava-a tanto que não me importava.» Walter Fane para Kitty Fane, O Véu Pintado