Carta ao Escritor, ao Leitor; o Funeral; os Escritos e o "Crítico"
Caros leitores e caros colegas escritores - caro crítico, É maisescritor aquele que escreve do que aquele que publica? Não estou certa disso.Sempre me senti um pouco escritora. Cá na rua cantei bastante em criança, e daíme chamavam “a cantora”. Depois a minha avó denunciou os meus hábitos nocturnosde escrita, e vai daí chamavam-me “a escritora”. Fiquei-me por aqui, creio. Hoje termineia revisão de 430 páginas d’O Funeral da Nossa Mãe. É um trabalho que nãovoltarei a ter na vida respeitante a esta obra e, em respeito à Célia de 2022,mais do que um suspiro pelo trabalho exaustivo terminado, ergo um copo a estemomento. Se é algo em grande? Nem por isso. Nem tão pouco em casa ocomunicarei, até porque ninguém compreenderia e ninguém daria valor. É simples;escrever é-me tão natural que há pouco de extraordinário nisso. É mais comumque eu escreva do que veja novelas, ou que escreva do que vá à praia. É, até,um hábito aborrecido e por vezes inconveniente, porque se mete no caminhoquando os out...