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A mostrar mensagens de novembro, 2025

#312 SILVA, Filipa Fonseca, Admirável Mundo Verde

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Sinopse:  Num futuro não muito distante, um grupo de activistas pelo clima radicaliza-se e decide derrubar o sistema. Dotado de uma eficaz máquina de propaganda, que lhe garante o apoio popular, consegue chegar ao poder e impor uma sociedade totalmente verde. Mas a que preço? Depois do sucesso de "E Se Eu Morrer Amanhã?" e de "O Elevador", nomeados para melhor livro do ano e em adaptação para filme, Filipa Fonseca Silva traz-nos um romance distópico electrizante, que levanta questões incontornáveis, como a emergência climática e a polarização de uma sociedade à deriva.   Opinião:   Admirável Mundo Verde , com uma capa magnífica e poderosa que põe na gaveta os preconceitos de "romance no feminino", beneficiou de uma questão: é que estou a ler  1984  [abandonei] enquanto o lia, e às tantas os universos distópicos recordavam-me o outro, e eu tinha de me situar. Acho que é um bom elogio dizer que, por vezes, na minha cabeça, não sabia se tinha acabado de l...

#311 SALEM, Tatiana Levy, Vista Chinesa

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Opinião:  Em História, estou a descobrir que uma investigação bem feita segue uma metodologia transdisciplinar, que inclui várias áreas de estudo das ciências sociais, incluindo antropologia, psicologia, sociologia, etc. Ao ler Vista Chinesa , dei por mim a aplicar a mesma teoria a um livro que é um tratado de literatura com ingredientes de todas essas áreas. Li este livro em 3 horas, perplexa por só agora me ter cruzado com esta obra-prima. "Eu estava viva, mas ainda não sabia se a vida seria possível." O livro é um colosso de literatura, favorecido pela economia do número de páginas, escritas a uma mesma cadência, como um fôlego único e imersivo. O fluxo de consciência seria a única abordagem possível para uma obra que é uma viagem atribulada à psique de uma mulher destruída, fraturada , vítima daquilo que é o maior terror do sexo feminino e que, com a força que nos é intrínseca, continua . "Não deve haver aflição pior do que o desconhecimento tangível da dor de um fil...

Meditações

Há coisas que, ainda que acabe por as compreender relativamente a mim mesma, nunca conseguirei evitar – ou, pelo menos, contornar, amenizar. Tenho meditado. Foi um conselho do meu psicólogo, que os dá muitos e úteis. Por algum motivo, esse foi o melhor que recebi até hoje. Tem sido uma experiência imersiva, intensa e inesperada. Na sessão de ontem, sentada em posição de lótus, permiti-me fazer uma viagem nova. As deambulações têm sido por sítios que costumo revisitar da minha infância, mas fui sempre uma mera espetadora, o repositório da memoir , que guardo deles. A meditação permite-me interagir com eles, deixar-me submergir por essas recordações, aprofundá-las e senti-las de novo. A partir de um sítio seguro e da maturidade que tenho vindo a construir. Ontem, involuntariamente, chorei. Foi um choro orgânico que veio com aquela imagem avassaladora. Quando medito, vejo o mundo a partir de diversos ângulos. Às vezes, vejo o que tenho à minha frente enquanto percorro o antigo corredor ...