Novelas Portuguesas
Num país com pelo menos 900 anos de História interessante, com o sucesso que foi no Brasil minisséries como Os Maias, O Quinto dos Infernos, A Muralha, e em Portugal julgo que Madre Paula também ter-se-á saído bem nas audiências, porque continuamos a mentir sobre a nossa cultura nas telenovelas que pomos cá fora? Porque não celebrar Portugal e os Portugueses, a sua contemporaneidade e a sua História, com enredos fidedignos e menos dramatizados?
Fantochada - é o adjectivo que os meus avós usam para descrever as novelas portuguesas. Envergonham-me. Tento fugir delas mas os cartazes andam por aí. Ligo a TV à tarde e estão a dar. Nos intervalos dos programas de televisão surgem comerciais com pessoas de cara afectada a fitarem-se de modo tenso. E o que se ouve nesses anúncios? Nas capas das revistas sensacionalistas? X foi raptada. Y está grávida! Z é violada. O empurra N das escadas e N perde o filho. K mata L. E por aí adiante.
O que é isto? Isto é Portugal?
Esta violência gratuita é Portugal? Esta ambição e preconceito desmedido que as novelas portuguesas retratam é Portugal?
Os pequenos almoços em mesas a abarrotar e em família representam Portugal?
As corridas violentas de carros são Portugal?
Os cartéis de droga são Portugal?
As máfias de garagem são Portugal?
As mulheres invejosas são Portugal?
As mulheres mal-amadas são Portugal?
As pessoas que traem, drogam, envenenam e empurram outros das escadas são Portugal?
Toda a gente tem criados em Portugal?
A protagonista feminina bruta, arrapazada, sem papas na língua, representa as portuguesas?
E porquê o péssimo exemplo de tanta gravidez acidental para as protagonistas das novelas, dando a entender que mesmo a pessoa mais “admirável” de um enredo é uma irresponsável nas questões básicas da vida?
Detesto novelas portuguesas e não as vejo, mas estou sempre a ter de tapar a vista para continuar sem as ver.
Era só isto.
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